São 9h30 de segunda-feira. O telefone toca. O cliente pergunta: "O site está em baixo?" Nesse momento, a agência precisa de ter um processo claro, não de improvisar. Este guia é o protocolo de resposta que toda a agência deveria ter documentado e partilhado com a equipa.
Passo 1: Confirmar que o site está realmente em baixo
Antes de entrar em modo de crise, confirme o problema. Nem sempre "não consigo aceder" significa que o site está em baixo para todos.
- Teste a partir de múltiplos dispositivos e redes. O problema pode ser local — DNS cache, ISP específico ou firewall.
- Use ferramentas externas: Down For Everyone Or Just Me, UptimeRobot ou ferramentas de ping distribuído.
- Verifique o código de erro: 500 Internal Server Error, 502 Bad Gateway, 503 Service Unavailable e "connection refused" têm causas e soluções diferentes.
- Confirme o scope: é só a homepage? É todo o site? É só o wp-admin? É global ou só Portugal?
Passo 2: Diagnóstico rápido — os 5 pontos de verificação
Com o site confirmado como indisponível, percorra esta checklist de diagnóstico por ordem de probabilidade:
1. Servidor e hosting
- O servidor responde a ping? (
ping dominio.pt) - Consegue aceder via SSH ou painel do hosting?
- O provider tem status page com incidentes reportados?
- O espaço em disco está esgotado? Memória RAM saturada?
2. DNS
- O domínio resolve corretamente? (
nslookup dominio.ptoudig dominio.pt) - Houve alguma alteração recente nos registos DNS?
- O domínio expirou? (verificar no registrar)
3. SSL/HTTPS
- O certificado SSL expirou? (verificar no browser ou com
openssl s_client -connect dominio.pt:443) - Houve alteração no certificado que está a causar mixed content ou redirect loops?
4. WordPress e aplicação
- Ativar WP_DEBUG para ver o erro específico.
- Houve alguma atualização recente de core, tema ou plugin?
- Os uploads ou wp-content têm permissões corretas?
- O ficheiro .htaccess está corrompido ou em falta?
5. Base de dados
- O serviço MySQL/MariaDB está a correr?
- As credenciais em wp-config.php estão corretas?
- Há tabelas corrompidas? (REPAIR TABLE via phpMyAdmin ou CLI)
Passo 3: Comunicar com o cliente
A comunicação durante um incidente é tão importante como a resolução técnica. Regras fundamentais:
- Comunicar rápido, mesmo sem solução. "Identificámos o problema e estamos a trabalhar na resolução. Enviaremos atualização em 30 minutos." é melhor que silêncio.
- Ser honesto sobre impacto e timeline. Não prometer "5 minutos" se não souber. Dar estimativas conservadoras.
- Usar linguagem não-técnica. O cliente quer saber quando vai estar resolvido, não detalhes sobre MySQL.
- Enviar updates regulares mesmo que o status não tenha mudado. O silêncio gera ansiedade.
- Enviar post-mortem. Após a resolução, enviar resumo: o que aconteceu, como foi resolvido, o que vai ser feito para evitar que volte a acontecer.
Passo 4: Resolver — ações por tipo de problema
Servidor inacessível
Se o servidor não responde de todo: contactar provider imediato, verificar status page. Se for um VPS/dedicado, tentar reboot via painel. Se for shared hosting, a agência tem pouco controlo — escalar com provider.
Erro 500 — Internal Server Error
Causa mais comum: plugin ou tema incompatível após update. Resolução: aceder via FTP/SSH, renomear pasta wp-content/plugins para desativar todos os plugins. Se o site volta, reativar um a um para identificar o culpado.
Erro 503 — Service Unavailable
Causa mais comum: sobrecarga de recursos (CPU/memória) ou modo de manutenção de WordPress ativo (.maintenance file). Verificar e remover ficheiro .maintenance se existir.
White Screen of Death (WSOD)
Ativar WP_DEBUG em wp-config.php. Verificar error log do PHP. Tipicamente causado por erro fatal em plugin ou tema — mesmo processo de desativar plugins via FTP.
"Error establishing a database connection"
Verificar credenciais em wp-config.php. Verificar se MySQL está a correr. Verificar se a base de dados existe. Tentar reparar base de dados adicionando define('WP_ALLOW_REPAIR', true); em wp-config.php e acedendo a /wp-admin/maint/repair.php.
Passo 5: Documentar e prevenir
Após resolver o incidente, três ações obrigatórias:
- Documentar o incidente: quando começou, causa raiz, ações tomadas, tempo de resolução, impacto no cliente.
- Identificar prevenção: o que pode ser feito para que isto não volte a acontecer? Monitorização? Updates mais controlados? Melhores backups?
- Implementar melhorias: não basta identificar — implementar as medidas preventivas. Monitorização profissional detecta downtime antes do cliente ligar. Manutenção regular reduz a probabilidade de incidentes.
Template de comunicação de incidente
Para facilitar a comunicação com clientes durante incidentes, aqui fica um template adaptável:
Assunto: [Nome do site] — Incidente de indisponibilidade (resolvido/em resolução)
Olá [Nome do cliente],
Identificámos uma indisponibilidade no site [URL] às [hora]. A nossa equipa iniciou o diagnóstico imediatamente.
Estado atual: [em investigação / causa identificada / resolvido]
Impacto: [site completamente indisponível / funcionalidade X afetada]
Próxima atualização: [hora estimada]
Cumprimentos,
[Nome da agência]
Conclusão: processo vence improviso
Quando um site vai abaixo, a diferença entre resolver em 15 minutos ou em 3 horas é, quase sempre, ter ou não um processo documentado. As agências que investem em preparação — checklists mensais, monitorização ativa, backups testados e protocolos de resposta — são as que mantêm clientes e reputação intactos.
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